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Bienal Linha da Terra arrancou em Alfândega da Fé com a abertura de duas exposições
A Bienal de Arte Contemporânea Terras de Trás-os-Montes- Linha da Terra abriu esta quinta-feira, 1 de outubro, em Alfândega da Fé, com a inauguração de duas exposições na Casa da Cultura Mestre José Rodrigues e no Lagar D’El Rei. Organizada pela Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM), a Bienal reúne 160 artistas e 14 exposições em 13 espaços, numa programação que se estende até dezembro.
A abertura foi também um momento de afirmação da cultura como parte do desenvolvimento do território. Na ocasião, o vice-presidente da CCDR NORTE para a área da Cultura, Rui Costa, destacou-a como um dos eixos prioritários para o futuro da região Norte. A abrangência da Bienal e a sua dimensão intermunicipal mereceram particular atenção do responsável, que valorizou esta aposta na cultura como elemento de projeção e coesão territorial.
Para o primeiro-secretário da CIM-TTM, é precisamente na ligação entre os nove concelhos que reside uma das características distintivas do projeto. Ao reunir os municípios numa programação comum, a Bienal reforça a cooperação e aproxima a arte das comunidades, contribuindo para alargar o acesso à cultura e afirmar as Terras de Trás-os-Montes como um território de criação.
Com direção artística de Inês Falcão, a Linha da Terra propõe olhar o território através da arte, cruzando a memória e o património com as transformações do presente e as possibilidades de futuro.
As duas exposições inauguradas em Alfândega da Fé dão expressão a essa relação. Na Galeria Eng. Manuel Cunha, integrada na Casa da Cultura Mestre José Rodrigues, “José Rodrigues — 90 anos | Na Linha da Terra” assinala o ano em que o escultor completaria 90 anos. Com curadoria de Ágata Rodrigues, sua filha, a exposição revisita a obra do artista e a sua ligação à matéria, à memória e aos lugares. Em Alfândega da Fé, onde a sua família tinha raízes, este percurso ganha um significado particular na Casa da Cultura à qual deu o nome.
No Lagar D’El Rei, “A Terra que nos Habita”, com curadoria de Cabral Pinto, reúne 20 olhares sobre memória, matéria e transformação. Diferentes linguagens e experiências artísticas convidam a pensar a paisagem, a natureza e a relação das pessoas com o território.
A ligação às comunidades prolonga-se na componente educativa da Bienal, com oficinas em escolas e nos espaços expositivos. Estão previstas ações de intervenção artística em todos os concelhos, envolvendo as populações e valorizando a identidade de cada lugar em diálogo com outros territórios.
Depois de Alfândega da Fé, as inaugurações prosseguem a 2 de outubro, em Bragança, no Centro Cultural Municipal Adriano Moreira. A programação abrange também Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Vila Flor, Vimioso e Vinhais.
A organização da CIM-TTM conta com a participação dos nove municípios e com a parceria do Museu do Abade de Baçal, do Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, do Museu do Douro, da Fundação Bienal de Arte de Cerveira, da Cooperativa Árvore, da Sociedade Nacional de Belas-Artes, do Laboratório de Artes na Montanha — Graça Morais e da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.
